De âncora a stroke, de SVG a Bézier: 60+ termos do design vetorial explicados sem enrolação para quem está começando agora
[glossário design vetorial | termos design gráfico | SVG significado | o que é vetor | Affinity Designer iniciante | Inkscape tutorial | design gráfico iniciante | terminologia vetorial 2026]
Você abriu o Affinity Designer pela primeira vez. Ou o Inkscape. Ou qualquer software de design vetorial. Clicou em uma ferramenta, apareceu uma palavra que você nunca viu. Pesquisou no Google. A explicação usou outras três palavras que você também não conhece.
Isso tem nome: é o muro do jargão técnico. E ele faz mais gente desistir de aprender design do que qualquer dificuldade prática.
A solução está aqui. Este glossário foi feito para você que está começando — seja designer iniciante, pequeno empreendedor tentando criar sua própria identidade visual, ou profissional de outra área migrando para o mundo criativo. Cada termo é explicado do zero, com analogia, com exemplo, com contexto de quando e por que importa.
Guarda nos favoritos. Você vai voltar aqui mais de uma vez.
Como Usar Este Glossário
Os termos estão organizados em 6 blocos temáticos:
- Fundamentos — o que é design vetorial e por que existe
- Arquivos e Formatos — o que são todas essas extensões (.svg, .pdf, .ai…)
- Elementos e Formas — os blocos de construção do vetor
- Cores e Aparência — como cor e visual funcionam tecnicamente
- Softwares e Ferramentas — programas, interfaces, painéis
- Processo e Produção — termos do fluxo de trabalho real
Dentro de cada bloco, os termos mais fundamentais vêm primeiro. Se você é total iniciante, leia na ordem. Se já tem alguma base, use como referência e pule para o que precisa.
1. Fundamentos: O Que É Tudo Isso?
Vetor (ou Gráfico Vetorial)
Imagine que você quer desenhar um círculo. Você tem duas formas de fazer isso num computador:
Forma 1 (Raster): Pintar ponto por ponto uma grade de pixels até o conjunto de pontos parecer um círculo. Como um mosaico de azulejos.
Forma 2 (Vetor): Guardar a matemática do círculo. “Centro aqui, raio de 50 unidades.” O computador calcula e desenha o círculo na hora.
Vetor é a segunda forma. O arquivo não guarda pixels — guarda instruções matemáticas que descrevem as formas. O resultado: a imagem pode ser ampliada para o tamanho de um outdoor ou reduzida para o de um ícone de celular, sempre com a mesma nitidez perfeita.
Na prática: Logos, ícones, ilustrações, tipografia e qualquer coisa que precise aparecer em tamanhos diferentes são feitos em vetor.
Raster (ou Bitmap)
O oposto do vetor. Imagem formada por uma grade de pixels — aqueles quadradinhos coloridos que, de longe, formam uma imagem.
O problema do raster: se você ampliar demais, os quadradinhos aparecem. Isso se chama pixelização ou ficar “pixelado”. Fotografia é sempre raster. Print screen é raster. Qualquer imagem que você baixa da internet geralmente é raster.
Quando usar raster: fotografias, texturas realistas, imagens com gradientes complexos. Softwares como Photoshop e Affinity Photo trabalham principalmente com raster.
Regra simples: Logo e ícone → vetor. Foto de perfil → raster.
Resolução (DPI e PPI)
DPI = Dots Per Inch = pontos por polegada. Quantos pontos de tinta a impressora coloca em cada centímetro.
PPI = Pixels Per Inch = pixels por polegada. Quantos pixels existem em cada centímetro da tela.
Na prática, as pessoas usam “DPI” para os dois contextos — e tudo bem.
Por que isso importa?
- 72 DPI: Padrão para telas (web, redes sociais). Arquivo leve.
- 150 DPI: Impressão básica (panfletos simples).
- 300 DPI: Impressão profissional (cartão de visita, revista, embalagem). Obrigatório para gráfica.
O vetor não tem DPI. Como é matemática, ele se adapta a qualquer resolução. Isso é uma das suas maiores vantagens sobre o raster.
Escala / Escalabilidade
A capacidade de aumentar ou diminuir algo sem perder qualidade. O vetor tem escalabilidade infinita. O raster não tem — aumenta e pixeliza.
Exemplo real: A logo da Nike funciona num ícone de aplicativo (32×32 pixels) e num outdoor de 10 metros porque é vetorial. Se fosse raster, existiriam versões separadas para cada tamanho.
Artboard (ou Prancheta / Mesa de Trabalho)
A “folha” onde você cria seu design dentro do software. Você pode ter vários artboards num mesmo arquivo — útil para criar peças diferentes de uma mesma identidade visual (cartão de visita, papel timbrado e banner no mesmo arquivo).
No Inkscape: chama-se Página. No Affinity: chama-se Artboard (mesma terminologia inglesa).
2. Arquivos e Formatos: A Sopa de Letrinhas Explicada
SVG (Scalable Vector Graphics)
O formato vetorial da web. SVG é um arquivo de texto (você pode abrir no Bloco de Notas e vai ver código XML) que descreve formas geométricas. Navegadores entendem SVG nativamente — você pode colocar um SVG num site e ele aparece perfeito em qualquer tela.
Vantagens:
- Escalável infinitamente
- Pode ser editado com código (bom para animações web)
- Levíssimo comparado a PNG de alta resolução
- Funciona em qualquer tamanho de tela
Quando usar: ícones de site, logos em páginas web, ilustrações animadas, infográficos interativos.
Softwares que criam SVG: Inkscape, Affinity, Figma, Illustrator.
AI (Adobe Illustrator)
Formato proprietário do Adobe Illustrator. Só o Illustrator abre .ai nativamente — outros softwares podem ter dificuldades. Se alguém te mandar um arquivo .ai e você não tem Illustrator, peça para a pessoa exportar em PDF ou SVG.
⚠️ Nota: Illustrator requer assinatura mensal cara (Adobe Creative Cloud). Para a maioria dos usos, Affinity (gratuito) ou Inkscape (gratuito) resolvem com qualidade equivalente.
PDF (Portable Document Format)
O PDF não é “só para documentos de texto”. Um PDF bem feito é um formato vetorial — preserva fontes, cores e formas exatamente como no arquivo original. Gráficas profissionais geralmente pedem o arquivo em PDF para impressão.
PDF para impressão: deve ser gerado com configurações específicas (PDF/X-1a ou PDF/X-4), sangria, marcas de corte e perfil de cor CMYK.
PDF para tela: pode ser RGB, sem sangria, arquivo menor.
PNG (Portable Network Graphics)
Formato raster (não é vetor!) com suporte a transparência (fundo transparente). É o formato ideal para exportar logos e ícones para usar em documentos Word, PowerPoint e e-mails — quando você não precisa de escalabilidade, mas precisa de fundo transparente.
Diferença importante: você cria a logo em vetor (SVG, AI) e exporta em PNG para entregar ao cliente que vai usar no Word.
JPG / JPEG (Joint Photographic Experts Group)
Formato raster sem transparência e com compressão que perde qualidade a cada vez que você salva. Ótimo para fotografias (onde a perda é imperceptível). Péssimo para logos, ícones e texto (onde a perda cria artefatos visuais feios nas bordas).
Regra: nunca salve logo em JPG. Use SVG ou PNG.
EPS (Encapsulated PostScript)
Formato vetorial antigo, mas ainda muito usado em gráficas e bordados. Se você vai mandar uma arte para bordado em uniforme ou para corte em vinil, provavelmente vão pedir EPS.
No Affinity: exportável diretamente. No Inkscape: exportável com plugins ou via conversão.
GIF (Graphics Interchange Format)
Formato raster antigo que suporta animação simples. Limitado a 256 cores. Não use para design profissional — apenas para animações web básicas ou memes. Para animações vetoriais modernas, veja Lottie abaixo.
Lottie
Formato de animação vetorial baseado em JSON. Criado pela Airbnb, tornou-se padrão para animações leves em aplicativos e sites. Um Lottie é uma ilustração vetorial que se move — e pesa muito menos que um GIF ou vídeo equivalente.
Onde criar: After Effects + plugin Bodymovin, ou LottieFiles diretamente. Onde usar: ícones animados em apps, telas de carregamento, micro-interações em sites.
3. Elementos e Formas: Os Blocos de Construção
Path (Caminho)
O elemento mais fundamental do design vetorial. Um path é uma sequência de pontos conectados por linhas retas ou curvas. Qualquer forma vetorial — círculo, letra, ilustração complexa — é, tecnicamente, um ou vários paths.
Analogia: Imagine que você está bordando. A agulha vai de ponto em ponto criando o desenho. No vetor, o “fio” entre os pontos é o path.
Um path pode ser:
- Aberto: começa num ponto, termina em outro (como uma linha)
- Fechado: o último ponto se conecta ao primeiro (como um círculo ou polígono)
Anchor Point (Ponto de Âncora)
Os pontos que definem onde o path muda de direção. Cada vez que você clica com a Pen Tool (veja abaixo), cria um anchor point. A linha do path passa por esses pontos.
Visualize: Se um path é uma estrada, os anchor points são as esquinas onde a estrada dobra.
Tipos de anchor point:
- Corner Point (Ponto de Canto): cria ângulo agudo (como num quadrado)
- Smooth Point (Ponto Suave): cria curva contínua (como num círculo)
Handle (Alça de Controle)
Quando você cria um ponto suave (smooth point), aparecem duas “alças” saindo do ponto como antenas. Essas são as handles. Elas controlam a direção e a intensidade da curva.
Analogia: Imagine que você está moldando arame. O ponto de âncora é onde o arame dobra. As handles são as duas extremidades do arame que você puxa para definir como a dobra vai ser — suave, fechada, aberta.
Mover uma handle muda a forma da curva sem mover o ponto em si.
Curva de Bézier (Bézier Curve)
O nome matemático por trás de todas as curvas vetoriais. Desenvolvida pelo engenheiro francês Pierre Bézier na década de 1960 para design industrial de carros.
Você não precisa saber a matemática. Basta saber que quando alguém fala “curva de Bézier”, está falando de qualquer curva vetorial suave que você vê nos softwares. A Pen Tool cria curvas de Bézier automaticamente quando você clica e arrasta.
Pen Tool (Ferramenta Caneta)
A ferramenta mais poderosa — e mais temida — do design vetorial. Permite criar qualquer forma imaginável clicando para criar anchor points e arrastando para controlar as curvas.
A curva de aprendizado é real: leva tempo para dominar. Mas uma vez que você pega o jeito, consegue traçar qualquer coisa.
No Affinity: Pen Tool (atalho: P) No Inkscape: Bezier Tool (atalho: B)
Node (Nó)
No Inkscape, o equivalente ao Anchor Point. Mesma função, nome diferente. O painel de edição de nós no Inkscape chama-se Node Editor.
Segment (Segmento)
O trecho do path entre dois anchor points. Um retângulo tem 4 anchor points e 4 segments. Uma estrela de 5 pontas tem 10 anchor points e 10 segments.
Shape (Forma)
Qualquer objeto vetorial fechado: retângulo, círculo, polígono, estrela. Ao contrário do path aberto (uma linha), uma shape é sempre fechada e pode ser preenchida com cor.
Compound Path (Caminho Composto)
Dois ou mais paths tratados como um único objeto. O uso mais comum: criar um buraco dentro de uma forma.
Exemplo prático: A letra “O” é um compound path — um círculo externo e um círculo interno. O círculo interno “fura” o externo, criando o buraco no meio da letra. Se não fosse compound path, o “O” seria um disco sólido.
No Affinity: chama-se Compound. No Inkscape: Objeto → Compound Path
Boolean Operations (Operações Booleanas)
Operações matemáticas aplicadas a formas. Permitem combinar dois shapes de formas diferentes:
| Operação | O que faz | Exemplo |
|---|---|---|
| Unite (União) | Funde duas formas em uma | Dois círculos viram um único “infinito” |
| Subtract (Subtração) | Uma forma “recorta” a outra | Círculo com estrela recortada |
| Intersect (Interseção) | Mantém só a área onde se sobrepõem | A “lente” onde dois círculos se cruzam |
| Exclude (Exclusão) | Mantém tudo exceto a sobreposição | Dois círculos ligados mas oco no meio |
Booleans são usadas o tempo todo na criação de logos e ícones.
Group (Grupo)
Vários objetos agrupados para se mover e transformar juntos. Como selecionar vários arquivos de uma vez e mover todos simultaneamente.
Atalho universal: Ctrl + G (agrupar) e Ctrl + Shift + G (desagrupar)
Diferença de Compound Path: um grupo ainda são objetos separados que você pode editar individualmente ao entrar no grupo. Um compound path é matematicamente um único objeto.
Layer (Camada)
Funciona como folhas de acetato empilhadas. Você coloca elementos em camadas diferentes para organizar o projeto e controlar o que fica na frente ou atrás.
Exemplo de uso:
- Camada 1 (fundo): fundo colorido
- Camada 2 (arte): elementos gráficos
- Camada 3 (texto): tipografia
- Camada 4 (guias): linhas de referência (que não aparecem na exportação)
No Inkscape e Affinity: funciona exatamente assim, com painel de layers visível na lateral.
Mask (Máscara)
Uma forma que define o que aparece e o que fica oculto de outro objeto. Pense numa moldura de foto: a moldura é a máscara, o que está dentro aparece, o que está fora some.
Tipos:
- Clipping Mask: usa o contorno de uma forma para cortar outra (como recortar uma foto no formato de um círculo)
- Alpha Mask: usa níveis de branco/preto para controlar transparência (branco = visível, preto = invisível)
Stroke (Contorno / Borda)
A linha que contorna uma forma. Uma stroke tem:
- Cor: qual cor é a linha
- Espessura (Weight): quão grossa é a linha
- Estilo: sólida, tracejada, pontilhada
- Extremidades (Cap): como as pontas de linhas abertas aparecem (quadrada, redonda, pontuda)
- Junções (Join): como os cantos de linhas se conectam (reto, redondo, chanfrado)
Fill vs Stroke: fill é o interior preenchido da forma. Stroke é a borda. Uma forma pode ter só fill, só stroke, os dois, ou nenhum (transparente).
Fill (Preenchimento)
O interior colorido de uma forma. Um fill pode ser:
- Cor sólida: um único tom
- Gradiente: transição entre duas ou mais cores
- Padrão (Pattern): textura ou repetição
- Nenhum (None/Transparent): forma sem preenchimento, apenas com stroke
4. Cores e Aparência: A Lógica Por Trás das Cores
RGB (Red, Green, Blue)
Modelo de cor para telas. Mistura luz vermelha, verde e azul para criar todas as cores. Quanto mais luz você adiciona, mais claro fica — por isso é chamado de modelo aditivo.
Valores: cada canal vai de 0 a 255. RGB(0, 0, 0) = preto. RGB(255, 255, 255) = branco.
Use para: qualquer design que será visto em tela — sites, redes sociais, apps, apresentações digitais.
CMYK (Cyan, Magenta, Yellow, Key/Black)
Modelo de cor para impressão. Mistura pigmentos de tinta. Quanto mais pigmento você adiciona, mais escuro fica — por isso é chamado de modelo subtrativo.
Valores: cada canal vai de 0% a 100%.
Use para: qualquer design que será impresso — cartão de visita, folder, embalagem, banner.
O erro clássico: criar em RGB e mandar para gráfica sem converter para CMYK. As cores saem completamente diferentes. O vermelho vibrante do monitor pode virar um bordô sem graça no papel.
Hexadecimal (HEX)
Outra forma de escrever cores RGB, comum em desenvolvimento web. O código começa com # e tem 6 caracteres alfanuméricos.
Exemplos:
#FF0000= vermelho puro#000000= preto#FFFFFF= branco#3D5AFE= azul vibrante
Se você vai passar uma cor para um desenvolvedor ou usar num site, o HEX é a forma padrão.
Pantone (PMS — Pantone Matching System)
Sistema de cores padronizado para impressão. Em vez de misturar tintas CMYK, o Pantone usa tintas pré-misturadas com fórmulas exatas. Garante que a cor seja idêntica em qualquer gráfica do mundo.
Quando usar: projetos de branding onde a consistência de cor é crítica (imagine que a Coca-Cola precisa que o vermelho seja exatamente igual em todos os países). Custa mais caro porque exige uma tinta especial.
Cores especiais Pantone: além das cores padrão, existem Pantones metalizados (ouro, prata), fluorescentes e foscos.
Opacity (Opacidade) vs Transparência
Opacidade é o quanto um objeto é visível. 100% = totalmente sólido. 0% = invisível.
Transparência é tecnicamente a ausência de cor no fundo do arquivo — o “fundo transparente” que você precisa para exportar logos em PNG. No software, geralmente aparece como um padrão xadrez cinza e branco.
Modo de Mistura (Blend Mode)
Como um objeto interage visualmente com o que está abaixo dele. Os mais comuns:
| Modo | Efeito |
|---|---|
| Normal | Cobre o que está abaixo (padrão) |
| Multiply | Escurece — como duas transparências sobrepostas |
| Screen | Clareia — efeito de luz projetada |
| Overlay | Contraste aumentado, mistura de luz e sombra |
Gradiente (Gradient)
Transição suave entre duas ou mais cores. Tipos:
- Linear: transição em linha reta (de cima para baixo, diagonal, etc.)
- Radial: transição do centro para as bordas (como um sol)
- Conical (Cônico): gira ao redor de um ponto central
- Mesh Gradient: gradiente complexo com múltiplos pontos de controle, cada um com sua própria cor
Perfil de Cor (Color Profile)
Um arquivo técnico que define como as cores de um documento devem ser interpretadas em diferentes dispositivos. Os mais comuns:
- sRGB: padrão para web e telas em geral
- Adobe RGB: gamut mais amplo, para fotografia profissional
- CMYK Coated: para impressão em papel couchê
- CMYK Uncoated: para impressão em papel offset comum
Se você não define o perfil de cor, cada dispositivo interpreta as cores do seu jeito — e as cores podem mudar entre o monitor, o celular e a impressora.
5. Softwares e Ferramentas: Quem É Quem
Inkscape
Software de design vetorial gratuito e open source. Funciona em Windows, Mac e Linux. É a melhor opção para quem está começando e não quer gastar nada.
Formato nativo: SVG
Download: https://www.inkscape.org
Ponto forte: gratuito, excelente para SVG e web
Ponto fraco: interface menos polida, curva de aprendizado um pouco maior
Affinity
Software de design vetorial da Serif. Gratuito após compra da Suite pela Canva. Funciona em Windows, Mac e iPad.
Formato nativo: AF
Download: https://www.affinity.studio/pt_br
Ponto forte: interface profissional, ferramentas vetoriais, pixel e layout unificadas num único app
Ponto fraco: ainda pouco conhecido em relação ao concorrente pago.
Figma
Ferramenta de design focada em UI/UX (design de interfaces de aplicativos e sites). Funciona no navegador, sem instalação. Plano gratuito disponível.
Ideal para: design de telas de apps, sites, prototipagem, trabalho colaborativo em equipe
Menos ideal para: ilustração vetorial complexa, preparação para impressão
Canva
Ferramenta online com foco em facilidade e templates. Não é tecnicamente um software de vetor puro — mas permite criar e exportar em SVG. Ideal para quem precisa criar materiais visuais rapidamente sem aprender design do zero.
Plano gratuito: funcional para uso básico
Plano Pro: mais templates, mais recursos de exportação
Quando usar: posts para redes sociais, apresentações, materiais simples de marketing
Adobe Illustrator
O software vetorial mais famoso do mercado. Requer assinatura mensal (Adobe Creative Cloud). Padrão em grandes agências e para clientes corporativos que exigem arquivos .ai.
⚠️ Para a maioria dos projetos, Affinity ou Inkscape entregam o mesmo resultado a um custo muito menor. Considere Illustrator apenas se seu fluxo de trabalho exige integração com outros produtos Adobe ou se clientes específicos exigem arquivos .ai.
Penpot
Alternativa gratuita e open source ao Figma para design de interfaces. Funciona no navegador.
6. Processo e Produção: Do Arquivo à Realidade
Sangria (Bleed)
Área extra além do tamanho final do documento, onde o design continua. Existe porque a guilhotina que corta o papel na gráfica não é 100% precisa — ela pode cortar 1 ou 2mm antes ou depois do ponto exato.
Sem sangria: um corte impreciso deixa uma fina borda branca no papel onde deveria ter cor até a borda.
Com sangria: o design vai além da borda, então mesmo com corte impreciso, a cor chega até a borda do papel.
Sangria padrão: 3mm em cada lado (total de 6mm a mais em largura e altura).
Exemplo: Cartão de visita de 9×5cm → o arquivo deve ser 9,6×5,6cm com a arte indo até as bordas do arquivo.
Marca de Corte (Crop Mark / Cut Mark)
Pequenas linhas nos cantos do documento que mostram à gráfica onde cortar. Você não as vê no produto final — ficam na área descartada fora da sangria. A maioria dos softwares adiciona automaticamente ao exportar para impressão.
Exportar vs Salvar
Salvar preserva o arquivo no formato nativo do software (com todas as camadas, edição possível, paths editáveis). Use para continuar trabalhando.
Exportar converte para outro formato (PNG, PDF, SVG) para entrega ou uso. Um arquivo exportado geralmente não pode ser editado como o original.
Regra: sempre mantenha o arquivo original (.af, .svg editável, etc.) e exporte para entregar.
Resolução de Exportação
Ao exportar em formato raster (PNG, JPG), você define a resolução:
- 72 PPI: para web e redes sociais
- 150 PPI: para impressão básica
- 300 PPI: para impressão profissional
O vetor em si não tem resolução — a resolução só importa no momento da exportação para formato raster.
Vetorizar (Tracing / Auto-Trace)
Converter uma imagem raster (foto, scan, desenho) em vetor automaticamente. O software analisa as bordas e cria paths aproximados.
Resultado: nunca é perfeito automaticamente. Imagens simples (logotipos de poucas cores, ícones) vetorizam bem. Fotografias complexas ficam com resultado artificial e inutilizável profissionalmente.
No Inkscape: Caminho → Rasterizar Bitmap
No Affinity: Documento → Rastrear Bitmap
Vetorização manual (redesenhar com a Pen Tool) sempre entrega resultado superior à automática.
Flatten (Achatar / Mesclar)
Simplificar um arquivo complexo combinando múltiplas camadas e objetos em um único layer ou objeto. Necessário em algumas situações de exportação ou quando o arquivo ficou muito pesado.
Atenção: uma vez “achatado”, você perde a capacidade de editar elementos separadamente. Sempre mantenha o arquivo original antes de achatar.
Outline (Converter Texto em Curvas)
Converter texto editável em paths vetoriais. Depois disso, o texto não pode mais ser editado como texto — mas também não depende mais da fonte instalada no computador.
Por que fazer: ao enviar para gráfica ou para outro designer, se a fonte não estiver instalada no computador dele, o texto pode mudar de aparência. Com o texto “convertido em curvas”, isso não acontece.
Atalho no Affinity: selecionar texto → Camada → Converter em Curvas
No Inkscape: Texto → Converter em Texto do Objeto → Caminho → Objeto para Caminho
Snap (Encaixe)
Função que faz objetos “grudarem” em pontos específicos automaticamente: centro de outro objeto, borda, grid, guias. Evita imprecisões manuais e acelera o trabalho.
Ative sempre que precisar de alinhamento preciso. Desative quando quiser posicionar algo livremente.
Grid (Grade)
Malha de linhas horizontais e verticais que aparece sobre o artboard para ajudar no alinhamento. Não aparece no arquivo final.
Grid de pixels: útil para design de ícones e UI
Grid de colunas: útil para layout de páginas e materiais impressos
Guides (Guias)
Linhas horizontais ou verticais que você arrasta da régua para marcar posições importantes. Como o grid, não aparecem no arquivo final. Use para marcar margens, centro, limites de área de segurança.
Área de Segurança (Safe Zone / Margin)
A área interna do documento onde você garante que todo o conteúdo importante ficará. Em impressão, é o contrário da sangria: a sangria garante que a arte vai até a borda; a área de segurança garante que texto e elementos importantes ficam longe da borda, fora do risco de corte acidental.
Margem de segurança padrão para impressão: 3-5mm para dentro da borda final.
Kerning
O espaço entre dois caracteres específicos. Diferentes pares de letras naturalmente criam espaços ópticos inconsistentes — o kerning ajusta isso manualmente.
Exemplo: “AV” parece ter mais espaço do que “HH” com o mesmo kerning matemático — porque o formato das letras cria espaço visual diferente. O kerning corrige essa ilusão.
Tracking
O espaçamento geral entre todos os caracteres de uma palavra ou parágrafo (oposto ao kerning que é entre dois caracteres específicos). Aumentar o tracking deixa o texto mais “arejado”. Reduzir pode deixar muito denso.
Leading (Entrelinha)
O espaço vertical entre linhas de texto. Pronuncia-se “ledding” (vem de barras de chumbo usadas na tipografia física). Leading apertado dificulta leitura. Leading generoso facilita.
Checklist: Termos Que Você Precisa Dominar Primeiro
PARA COMEÇAR A CRIAR
[ ] Entende a diferença entre vetor e raster?
[ ] Sabe para que serve SVG, PNG e PDF?
[ ] Conhece path, anchor point e handle?
[ ] Entende fill e stroke?
[ ] Sabe o que são layers?
PARA TRABALHAR COM CORES
[ ] Sabe quando usar RGB vs CMYK?
[ ] Consegue ler e usar código HEX?
[ ] Entende o que é opacidade?
[ ] Sabe o que é perfil de cor?
PARA PREPARAR PARA IMPRESSÃO
[ ] Sabe o que é sangria?
[ ] Entende quando usar 72 vs 300 DPI?
[ ] Sabe converter texto em curvas?
[ ] Entende a diferença entre salvar e exportar?
PARA TRABALHAR COM SOFTWARES
[ ] Já escolheu entre Inkscape ou Affinity Designer?
[ ] Sabe o que é Pen Tool e para que serve?
[ ] Entende o que são boolean operations?
[ ] Conhece o que são snap e grid?Resumo (TL;DR)
Design vetorial = formas feitas de matemática, não de pixels. Isso significa escalabilidade infinita e qualidade perfeita em qualquer tamanho.
Formatos essenciais: SVG para web, PDF para impressão, PNG para usar em documentos e apresentações. Nunca JPG para logos.
Cores: RGB para telas, CMYK para impressão. Confundir os dois é o erro mais caro que existe em design gráfico — literalmente.
Os três elementos fundamentais: path (o caminho), anchor point (os pontos de controle) e handle (as alças que curvam o caminho). Tudo no vetor é construído sobre esses três conceitos.
Softwares acessíveis: Inkscape e Affinity (gratuitos) resolvem 95% dos projetos profissionais sem precisar de assinatura Adobe.
Regra de ouro para impressão: sempre 300 DPI, sempre CMYK, sempre com sangria de 3mm. Se você esqueceu um desses três, a gráfica vai te ligar.
Meta Description: Glossário completo de design vetorial com 60+ termos explicados em linguagem simples. De SVG a CMYK, de anchor point a sangria: tudo que você precisa saber em 2026.